Bolsonaro: de qual direita estamos falando?

Bolsonaro é indubitavelmente uma figura controversa. À esquerda e à direita do espectro político sua figura desperta reações apaixonadas e estridentes. Bolsonaro é odiado pela esquerda, por supostamente encarnar o espírito militar e autoritário que tanto desagrada os intelectuais progressistas e o beautiful people. Para os bem-pensantes, Bolsonaro nada mais seria que um fascista com tendências machistas e homofóbicas, uma figura desprezível e anacrônica, que, deste modo, não mereceria qualquer tipo de atenção e respeito. Por outro lado, certa direita concebe-o como um sujeito rude, inculto e despreparado para a administração de um país complexo, multifacetado e gigantesco como o Brasil. Mais ainda, para muitos liberais e mesmo entre muitos conservadores, Bolsonaro é visto como um populista vulgar, um bonapartista tupiniquim, uma espécie de ufanista de caserna de orientação estatizante e dirigista no campo econômico.  O fato concreto é que Bolsonaro é uma personalidade sui generis que, dentre outras características, não se amolda com facilidade nas categorias que costumeiramente utilizamos para descrever e analisar as situações e eventos políticos. A rigor, o deputado federal mais votado do Estado do Rio Janeiro não é propriamente um político doutrinário que siga a risca uma cartilha ideológica precisa e definida. É evidente que Bolsonaro não é um leitor voraz dos teóricos do conservadorismo anglo-saxão como Edmund Burke, Roger Scruton e Russel Kirk. Muito provavelmente o polêmico e intrépido militar da reserva não seja nem mesmo um estudioso atento dos autores do liberalismo da Escola Austríaca. Definitivamente, ele não é um intelectual de temperamento contemplativo e introvertido. Bolsonaro, felizmente para alguns e infelizmente para outros, não é um seguidor da filosofia Tory, ele é apenas um brasileiro consciente e preocupado com o estado de caos social e desordem moral que avassala esta pátria luso-tropical.Patriota, este é o epíteto que pode ser usado para entender sua postura política que, apesar de sua vagueza e imprecisão, é uma boa pista para pensarmos sua personalidade para além das dicotomias conservador x progressista, liberal x socialista.  Isto, Bolsonaro é, sobretudo, um nacionalista, que, em síntese, não aceita ver seu país ser destruído pelas forças sem rosto do mundialismo desenraizador.

O ilustre deputado federal campineiro parece incomodar certos setores da nova direita brasileira, pois, suas intervenções, discursos e sua plataforma parecem não contemplar os tópicos basilares defendidos por esta corrente, como a defesa do liberalismo econômico, do capitalismo, da democracia liberal e do Estado de direito, mínimo, enxuto e eficiente. Sobre esta questão é necessário uma brevíssima digressão de teor sociológico e histórico. A nova direita brasileira pouco ou nada tem a ver com as “velhas direitas”. Ao compararmos as diversas organizações liberais e liberais-conservadoras de hoje, bem como o discurso de seus principais atores e intelectuais, com movimentos da década de 1930 como a Ação Integralista Brasileira e a Ação Imperial Patrionovista, notaremos diferenças abissais do ponto de vista ideológico e organizacional.

O integralismo, criado em outubro de 1932 pelo político e escritor Plínio Salgado, era uma doutrina política de cunho nacionalista e cristão, que fundia elementos do espiritualismo de Farias Brito, do nacionalismo de Alberto Torres e do catolicismo social. Este movimento foi uma expressão em terra brasileiras de uma direita radical e revolucionária. Após a Segunda Guerra Mundial, o integralismo deu origem ao Partido de Representação Popular (PRP) de explícita orientação conservadora cristã. Com o passar dos anos e seu amadurecimento intelectual, Plínio Salgado, criador da AIB e do PRP, afasta-se de posturas “radicais” adotando, assim, uma visão de mundo conservadora e tradicionalista católica. De orientação genuinamente tradicionalista e católica, a Ação Imperial Patrianovista, criada em 1932 pelo intelectual e professor universitário Arlindo Veiga dos Santos, defendia ardentemente a monarquia, os valores cristãos, o patriotismo e era fortemente antimarxista e antiliberal.

Elementos característicos e definidores destes movimentos políticos e culturais como o nacionalismo, o espiritualismo cristão, o tradicionalismo, o antiliberalismo e o anticapitalismo estão ausentes na nova direita brasileira. Em linhas gerais, trata-se de uma direita moderna, de feições liberais, que defende de maneira contumaz os princípios centrais da ideologia individualista (de acordo com o sentido utilizado pelo antropólogo francês Louis Dumont) que configurou a sociedade ocidental após a Revolução Francesa.

A ênfase desta nova direita em torno de questões relacionados com a liberdade individual, a livre iniciativa, a autonomia pessoal, o livre mercado, a democracia representativa e o Estado mínimo a distingue por completo da cosmovisão anti-moderna do Integralismo de Plinio Salgado e do Patrionovismo de Arlindo Veiga dos Santos. Na verdade, não precisamos ir tão longe, basta analisarmos a mentalidade, os ideais e a retórica de uma agrupação politica de direita bem mais recente como o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), fundado pelo médico cardiologista Enéas Carneiro em 1989, para percebermos diferenças significativas. Enquanto a nova direita prega entusiasticamente pelo Estado mínimo, pelas delícias da sociedade de consumo e do livre-comércio, aproximando-se às vezes de posições anarcocapitalitas, integralistas, patrionovistas num passado longínquo, os seguidores do PRONA de Enéas, num passado mais recente, advogavam um Estado forte, dirigista e intervencionista. Jair Bolsonaro, sob certo ponto, aproxima-se desta direita nacionalista e antiliberal ao defender com ardor a identidade e a soberania nacional, a tradição cristã e a moral tradicional. Inclina-se para uma forma renovada e atualizada de patriotismo cristão com tonalidades conservadoras no campo moral e cultural e nacionalista na esfera política e econômica. Estaríamos diante de um nacionalismo conservador cristão?

Bolsonaro, além disso, cristaliza em sua figura um estado de descontentamento geral e radical de parte expressiva da população brasileira com as insanidades do politicamente correto, do esquerdismo cultural e do relativismo moral que vêm corroendo as fibras mais íntimas e a própria substância espiritual da nação brasileira. Sob este aspecto, assemelha-se ao fenômeno Trump nos Estados Unidos e Marine Le Pen na França, assim como sua inconteste força popular apresenta similitudes com a ascensão de movimentos “identitários e populistas de direita” em todo o continente europeu. Tratam-se de constelações políticas que, grosso modo, se levantam contra as oligarquias cosmopolitas que, muitas vezes com um retórica humanitária, buscam insistentemente enfraquecer e aniquilar as soberanias nacionais, as identidades culturais tradicionais e os valores cristãos que fundaram e estruturaram a civilização ocidental.

O fenômeno Bolsonaro aponta para o surgimento de uma reação “conservadora” em terras brasileiras, ou melhor, é na verdade, uma espécie de bastião de resistência das forças nacionais e tradicionais contra os ataques do cosmopolitismo esnobe que intenciona forjar, através de processos sutis de engenharia social, uma nova (des)ordem mundial.


Texto extraído na íntegra do site: homemeterno.com
Autor: Cesar Ranquetat Jr

A Grande Mentira: O Socialismo Começou na Bíblia

Os socialistas, comunistas, esquerdistas e outros radicais com diferentes rótulos — porém com idéias e ambições políticas semelhantes — costumam alegar que o socialismo começou na Bíblia. Eles utilizam como exemplo uma experiência que os 12 apóstolos tentaram na primeira igreja cristã, na região da Judéia. Não houve direção direta de Deus para os líderes cristãos judeus decidirem o uso e administração de seus recursos financeiros, mas Deus lhes deu liberdade para tentarem seus próprios caminhos. O que sabemos é que os apóstolos tiveram a inspiração humana de que todos os cristãos judeus deveriam vender tudo o que tinham e entregar todo o dinheiro aos apóstolos. Nada era poupado, inclusive propriedades. Foi talvez uma tentativa de criar uma comunidade de interesses, trabalhos e sacrifícios comuns. Leia mais

Jesus e os pobres: nenhuma semelhança com o socialismo

Hoje a pobreza é quase tão comum quanto as doenças. Na época do ministério terreno de Jesus, essa realidade era muito mais forte. Nos Evangelhos, Jesus curava com muita freqüência, principalmente os pobres. Contudo, mesmo encontrando multidões de pobres diariamente, ele só os alimentou em duas ocasiões específicas, não porque simplesmente eles eram pobres, porém porque nessas ocasiões as multidões vieram ouvir o Evangelho cedo de manhã e permaneceram com ele três dias inteiros ouvindo o Evangelho. As multidões passaram tanto tempo ouvindo a Palavra de Deus dos lábios de Jesus que ficou muito tarde, quase de noite, no terceiro dia para voltarem e se alimentarem, pois o lugar em que estavam era deserto e distante, longe de casas e lugares onde poderiam encontrar alimento. Leia mais

Por que um cristão não pode ser marxista

Um cristão marxista faz tanto sentido quanto uma luz escura em um quadrado redondo. É mais que um paradoxo, é um absurdo. No entanto, em nossa era relativista, onde se busca conciliar o inconciliável, minha afirmação é que parece absurda. Mas não é. É a pura verdade.

Os que se espantam com essa afirmação provavelmente desconhecem não apenas a história do marxismo. Ignoram completamente seus próprios fundamentos, sua real natureza. Se os conhecessem com certeza saberiam que cristianismo e marxismo são tão incompatíveis quanto a luz e as trevas. Leia mais

Por que o marxismo odeia o Cristianismo

O marxismo autêntico sempre odiou e sempre odiará o cristianismo autêntico. Se não puder pervertê-lo, então terá que matá-lo. Sempre foi assim e sempre será assim.

E por que essa oposição manifestada ao cristianismo por parte do marxismo? Por que o ódio filosófico, a política anticristã, a ação assassina direcionada aos cristãos? Por que o país número um em perseguição ao cristianismo não é muçulmano e sim a comunista Coréia do Norte?

As pessoas se iludem quando pensam no marxismo como doutrina econômica ou política. Economia e política são meros pontos. Marx não acreditava ter apenas as resposta para os problemas econômicos. Acreditava ter todas as respostas para todos os problemas. Leia mais

Marxismo-Cristão: Uma contradição alarmante

1. Para Início de Conversa

Este é o tipo de texto que me deixa feliz ao escrever, pois tratarei de campos do saber que muito me agradam discutir e que fazem parte da minha formação acadêmica. Com graduação em História e especializado em Ciência Política, conheço e estudei o marxismo sob a ótica de diversos teóricos favoráveis e contrários às ideias difundidas por Karl Marx – esta figura controversa. Sou da opinião de que algo da sua leitura acerca das relações entre empresários e trabalhadores (no contexto da Revolução Industrial) não pode ser totalmente desprezada, no entanto, creio que sua desgraça foi reduzir todo o fluxo da História apenas à questão econômica. Também acredito que ele não conseguiu escapar de algo que tanto atacou: a ideologia. O mais irônico é ter as suas ideias utilizadas como uma religião. A tragédia marxiana foi denunciar o ópio da religiosidade e acabar vendo seus seguidores produzindo uma droga sintética chamada marxismo-leninismo[1]. Leia mais

Porque não sou de esquerda

Em 1989 eu ainda um “menino“, cursava a 6ª série do ensino fundamental, inocentemente fiz um comentário sobre o então candidato a presidência da republica, Lula, iniciou ali uma “conversa” com a professora Eg. (chamarei apenas pelas iniciais) que durou longos dias, ele foi dizendo-me como era a ideia da esquerda e como essa ideia era superior as demais e como terrível era não pensar e ser de esquerda. Não sei se meus amigos Daniel, Marilza, Ronaldo, entre outros, também foram “conversar” com essa professora, mas eu, antes da eleição eu havia tornado-me de esquerda, lá se vão 28 anos, hoje alguns desse amigos e até meu primo me pergunta porque não sou de esquerda, como se não sê-lo fosse algum tipo de aberração.

Por que não sou de esquerda?  Leia mais

O cristão e a política

Ano após ano cresce a chamada “bancada evangélica”, esse grupo tem alcançado grande força política, isso é indiscutível, a cada ano temos mais e mais candidatos “evangélicos” pleiteando um cargo político, ano passado tivemos um candidato membro da nossa igreja, e tive que responder a mesma pergunta várias vezes; O CRISTÃO PODE SE ENVOLVER EM POLÍTICA?. Os cristãos (e em especial os evangélicos) brasileiros nutrem uma aversão à política. Principalmente por esta estar associada a homens corruptos, cristãos de campanha, mentiras eleitoreiras, apostasia, satisfação de interesses pessoais, coisas que deixam o eleitor desconfiado das reais motivações que levam determinado candidato a lutar tanto por tal cargo. Unido a isto, temos uma fé afastada dos negócios do mundo, e então temos os destinos da sociedade entregue a incrédulos. Precisamos compreender melhor o papel do CIDADÃO e principalmente do CRISTÃO e aprender a viver um evangelho integral, que tenha uma palavra de juízo e graça para todas as esferas da vida humana, manifestando o Reino de Deus em nosso mundo. Leia mais

Enem, invasões e romantismo: a canção da violência política

Abertura. A Besta.

William Golding, no clássico O Senhor das Moscas, nos ensinou uma lição importante e inesquecível sobre a natureza das crianças e, consequentemente, sobre os seres humanos: “que engraçado é achar que a Besta é algo que podem caçar e matar”. Nós sabemos — ou deveríamos saber — que não há saída. A Besta não pode ser morta, nem por crianças nem por adultos. Na verdade, não pode ser morta por ninguém. A Besta somos todos nós. Filosoficamente falando, um dos maiores problemas do otimismo romântico, cuja origem como se está cansado de saber remonta a Rousseau — o maior inimigo da propriedade privada —, foi acreditar na bondade natural dos seres humanos. No idílico estado de natureza, os seres humanos eram bons, mas a propriedade privada — o tentador fruto proibido — produziu esta terra desolada e nos exilou do paraíso. Infelizmente, mesmo depois de tudo o que o infeliz século XX atravessou, essa crença não se exauriu. Continua a povoar corações e mentes em busca de reconciliação redentora. O fato é que todo esforço civilizatório contra a barbárie não passa de uma frágil e superficial camada que cobre — na tentativa de barrar e controlar — a grande besta em todos nós. Rousseau, para nossa desgraça, estava errado. Leia mais

O pensamento DIREITA ESQUERDA

Depois de entender o significado e a origem dos termos DIREITA e ESQUERDA, é necessário entender a ideologia de cada um. A discussão entre DIREITA e ESQUERDA vem desde sua origem, penso que compreender a ideologia de ambos ajudará na escolha de governo que queremos, pois não voltamos apenas no candidato, mas sim em um “pacote” que inclui suas proposta e sua ideologia, isto é, a forma de governar tem tudo haver com sua ideologia política.

Nesse período eleitoral conversei muito com candidatos a prefeitos e a vereadores, uma das conversas chama a minha atenção para o que disse certo candidato ao fazer-lhe uma pergunta direta.

– Qual sua ideologia política? Esquerda ou Direita?
Ele respondeu: – No Brasil não existe mais ESQUERDA ou DIREITA, isso é uma forma antiga de fazer política.

Como assim, não existe ESQUERDA e DIREITA? Leia mais