Escravos voluntários do Estado assistencialista – C. S. Lewis

Progresso [1] significa movimento em direção desejada, e nós não temos todos os mesmos desejos para nossa espécie. Em Possible Worlds (Mundos possíveis),[2] o professor Haldane criou um futuro em que o homem, prevendo que a Terra logo se tornaria inabitável, adaptou-se para migrar para Vênus modificando drasticamente sua fisiologia e abandonando a justiça, a piedade e a felicidade. O desejo limita-se à sobrevivência. Bem, eu me preocupo muito mais com como a humanidade vive do que com por quanto tempo. Para mim, progresso significa aumentar a bondade e a felicidade em cada indivíduo. Parece-me que para a espécie, assim como para cada homem, a simples longevidade é um ideal desprezível.

Por isso, avanço mais do que C. P. Snow em remover a bomba H do centro do cenário. Como ele, não sei se, caso ela matasse um terço de nós (o terço a que pertenço), isso seria ruim para os remanescentes. Como ele, não penso que morreremos todos. Mas e se morressem? Sendo cristão, tenho certeza de que a história humana terá fim algum dia, e não cabe a mim aconselhar o Onisciente quanto à melhor data para terminar a obra. Preocupo-me mais com o que a bomba já vem fazendo.

Há jovens que tomam a ameaça como razão para envenenar todos os prazeres e escapar de todas as obrigações do presente. Será que não sabem que, com bomba ou sem ela, todos morrem (e muitos de formas horrorosas)? Não adianta chorar e se lamentar por isso.

Tendo removido o que considero um obstáculo, volto à questão real. As pessoas estão se tornando, ou é provável que se tornem, melhores ou mais felizes? Obviamente, a resposta é apenas uma conjectura. A maior parte das experiências individuais (e não existe outro tipo) jamais chega aos noticiários e muito menos aos livros de história. A pessoa tem noção imperfeita até dela mesma. Estamos reduzidos a generalidades e, mesmo assim, é difícil encontrar um equilíbrio. Sir Charles enumerou muitos avanços reais. E contra eles precisamos apresentar Hiroshima, Black and Tans,[3] Gestapo, Ogpu,[4] lavagem cerebral, campos de serviços forçados na Rússia. Talvez sejamos mais bondosos com as crianças; mas, aí, pioramos no trato dos idosos. Qualquer médico pode testemunhar que até os ricos se recusam a cuidar dos pais. “Será que não podemos colocá-los em algum tipo de Lar?”, indagou Goneril.[5]

Creio que mais útil do que tentar encontrar equilíbrio é lembrar que a maioria desses fenômenos, bons ou maus, se torna possível por dois fatores que, provavelmente, determinarão a maioria dos acontecimentos durante algum tempo.

O primeiro é o avanço e a crescente aplicação da ciência. Como meio para o fim que se busca ela é neutra. Seremos capazes de curar, e de produzir, mais doenças – guerra bacteriológica e não as bombas talvez façam descer a cortina final –, de aliviar e infligir mais dores, de poupar, ou desperdiçar, os recursos dos planetas de forma mais ampla. Podemos nos tornar mais bondosos ou mais perniciosos. Penso que faremos as duas coisas, consertando uma e estragando a outra, removendo antigos sofrimentos e produzindo outros, protegendo-nos em um lugar e nos colocando em risco em outro.

O segundo é a relação modificada entre governo e súditos. Sir Charles menciona nossa nova atitude perante o crime. Menciono os trens lotados de judeus entregues às câmaras de gás alemãs. Parece chocante sugerir um elemento em comum, mas penso que existe. Segundo a visão humanitária, todo crime é patológico e requer não punição retributiva, mas, sim, cura. Isso afasta o tratamento do criminoso dos conceitos de justiça e de retribuição. “Simples cura” não tem sentido.

Na antiga visão da opinião pública, poderia haver protesto contra uma punição (houve protesto contra nosso antigo código penal), considerando-a excessiva, mais do que o homem “merecia”, questão ética em que qualquer pessoa podia ter opinião. No entanto, o tratamento como remédio só pode ser julgado pela probabilidade de sucesso, questão técnica em que apenas os especialistas podem se pronunciar. Com isso, o criminoso deixa de ser pessoa dotada de direitos e de deveres, e se torna simples objeto em que a sociedade pode trabalhar. E, em princípio, foi isso que Hitler fez com os judeus. Eles não passavam de objetos, mortos não por retribuição errada, mas porque, na teoria dele, eram uma doença na sociedade. Se a sociedade pode consertar, refazer e desfazer os homens segundo sua vontade, essa vontade pode ser, claro, humana ou homicida. A diferença é importante. De qualquer forma, entretanto, os governantes se tornaram proprietários.

Observe como a atitude “humana” diante do crime poderia operar. Se os crimes são doenças, por que as doenças seriam tratadas de modo diverso dos crimes? E quem, a não ser os especialistas, podem definir doenças? Uma escola da psicologia considera minha religião uma neurose. Se essa neurose um dia se tornar inconveniente para o governo, nada impediria que eu passasse por uma “cura” compulsória. Pode ser doloroso; algumas vezes os tratamentos o são. Mas não adiantará perguntar o que fez para merecer isso. O Encarregado da Correção responderá: “Mas, meu caro, ninguém está te acusando. Não acreditamos mais na justiça de retribuição. Estamos te curando”.

Isso seria nada mais do que aplicação extrema da filosofia política implícita na maioria das comunidades modernas. Tem nos minado sem que percebamos. Duas guerras implicaram vasta restrição da liberdade, e nos acostumamos, embora resmungando, com nossas cadeias. A complexidade cada vez maior e a precariedade de nossa vida econômica forçaram o governo a assumir muitas esferas de atividade que antes eram deixadas sem controle. Nossos intelectuais se renderam primeiro à filosofia escravizante de Hegel, depois à de Marx e, por fim, aos analistas da linguística.

Como resultado, a teoria política clássica, com seus conceitos-chave estoicos, cristãos e jurídicos (lei natural, valor do indivíduo, direitos do homem), morreu. O Estado moderno não existe para proteger nossos direitos, mas para fazer o bem para nós ou nos tornar bons – de qualquer forma, para fazer algo para nós ou nos levar a fazer algo. Com o novo nome de “líderes” para aqueles que antes eram “governantes”, não somos súditos, mas, sim, guardas, alunos e animais domésticos. Não há nada em que possamos dizer a eles: “Isso é problema meu”. Toda nossa vida é problema deles.

Escrevo “eles” porque me parece infantilidade não reconhecer que o governo é e sempre será oligárquico. Nossos senhores efetivos são mais do que um e menos do que todos. Os oligarcas, porém, começam a nos ver de nova maneira.

Penso que aqui reside nosso verdadeiro dilema. É provável que não poderemos, e com certeza não o faremos, percorrer de volta nosso caminho. Somos animais domados (uns por senhores bondosos, outros por donos cruéis) e, provavelmente, morreríamos de fome se saíssemos de nossa jaula. Essa é uma parte do dilema. Em uma sociedade cada vez mais planejada, quanto do que valorizo pode sobreviver? Essa é a outra parte do dilema.

Creio que o homem é mais feliz, e de um modo mais profundo, se possui “a mente que nasceu livre”. Contudo, duvido que isso seja possível sem independência econômica, que a nova sociedade tem abolido. A independência econômica permite educação sem o controle do governo. Na vida adulta é o homem que não precisa, nem pede nada ao governo a quem pode criticar e apontar o dedo para a ideologia. Leia Montaigne; é a voz de um homem sentado à sua mesa, comendo o carneiro e o nabo produzidos em sua própria terra. Ninguém fala como ele tendo o Estado como professor e empregador? Admito que, quando o homem era indomado, essa liberdade pertencia a poucos. Eu sei. Daí a terrível suspeita de que temos que escolher entre sociedades com poucos livres e sociedades sem nenhum livre.

Repito, a nova oligarquia precisa, cada vez mais, basear sua alegação de planejar para nós em sua afirmativa de conhecimento. Se é para termos mãe, a mãe deve saber o que é melhor para nós. Isso significa que precisam confiar cada vez mais nos conselhos dos cientistas, até que os políticos também se tornem meros fantoches dos cientistas. A tecnocracia é a forma para a qual a sociedade planejada deve tender. Temo os especialistas em poder porque sabem falar sobre outros assuntos que não a sua especialidade. Que os cientistas falem sobre ciências, mas o governo envolve questões sobre o bem da pessoa, a justiça, e o que vale a pena ter, a que preço. Nesses assuntos, o treinamento científico não acrescenta qualquer valor à opinião do homem. Que o médico me diga que, se eu não tomar determinadas atitudes, morrerei em certo prazo, mas decidir se vale a pena viver nesses termos não é questão que ele seja mais capaz de responder do que qualquer outra pessoa.

Em terceiro lugar, não gosto que as pretensões do governo – o fundamento para exigir minha obediência – sejam muito elevadas. Não gosto de pretensões mágicas dos médicos nem do Direito Divino do Bourbon. Isso não é apenas porque não acredito em mágica e na Politique [6]de Bousset. Creio em Deus, mas detesto a teocracia. Todo governo consiste apenas em homens e, numa visão estrita, é um paliativo. Caso acrescente aos comandos “Assim diz o Senhor”, está mentindo, e essa mentira é perigosa.

Por esse mesmo motivo, temo o governo em nome da ciência. É assim que a tirania se intromete. Em cada era, os homens que nos querem sob seu domínio usarão a pretensão específica que as esperanças e os temores de cada era mostrarem ser mais potentes. Eles “capitalizam.” Já foi magia, cristianismo. Agora, com certeza, será a ciência. Talvez os verdadeiros cientistas não levem muito a sério a “ciência” dos tiranos – não levavam a sério as teorias raciais de Hitler nem a biologia de Stalin. No entanto, eles podem ser calados.

Precisamos dar atenção ao alerta de Sir Charles – no Oriente, milhões estão morrendo de fome. Esses considerariam meus temores muito desprezíveis. O faminto pensa em comida e não em liberdade. Precisamos dar toda atenção à afirmativa de que apenas a ciência, aplicada por todo o globo, e, portanto, sem precedente de controle governamental, pode resultar em estômagos saciados e assistência médica para toda a raça humana. Nada, em suma, além de um mundo com Estado assistencialista. É a plena aceitação dessas verdades que me alerta para o perigo extremo que a humanidade corre no presente.

Temos, por um lado, necessidade desesperada: fome, doença e medo da guerra. Por outro lado, temos o conceito de algo que poderia resolver o problema: tecnocracia global e supercompetente. Não são as oportunidades ideais para a escravidão? Foi assim que aconteceu antes: uma necessidade extrema (real ou aparente) de um lado e o poder (real ou aparente) de aliviá-la do outro. No mundo antigo, os homens se vendiam como escravos para conseguir comer. O mesmo acontece na sociedade. Eis o curandeiro que pode nos livrar do feiticeiro – o guerreiro que nos salva dos bárbaros –, a Igreja que nos salva do inferno. Dê a eles o que querem, entregue-se a eles amarrado e vendado, se eles o quiserem! Talvez a barganha terrível aconteça de novo. Não podemos culpar os homens por aceitarem. Mas conseguimos desejar que não o façam. Mas também mal podemos suportar que aceitem.

A questão sobre o progresso se tornou a questão sobre a possibilidade de descobrirmos uma forma de nos submeter ao paternalismo mundial da tecnocracia sem perder toda a privacidade e independência. Há algum jeito de conseguir o mel do Estado assistencialista sem ser picado?

Não nos enganemos quanto ao ferrão. A tristeza sueca é apenas um prelúdio. Viver como acha melhor, chamar sua casa de seu castelo, desfrutar dos frutos de seu trabalho, educar os filhos como achar melhor, poupar para a prosperidade dos filhos depois de sua morte – esses são desejos profundamente entranhados no homem branco e civilizado. Realizá-los é quase tão necessário para nossas virtudes quanto para nossa felicidade. Se forem frustrados, podem ocorrer problemas psicológicos e morais.

Tudo isso nos ameaça, inclusive se a forma de sociedade para a qual a nossa aponta se mostra um sucesso sem precedentes. Mas isso é certo? Que segurança temos de que nossos mestres manterão, ou serão capazes de manter, a promessa que nos levou a nos vendermos? Não nos enganemos com frases como “Homem tomando seu destino nas mãos”. O que pode acontecer é apenas que alguns homens tomarão nas mãos o destino dos outros. Serão apenas homens, imperfeitos, alguns gananciosos, cruéis e desonestos. Quanto mais planejarmos, mais poderosos serão eles. Será que já descobrimos novas razões por que, desta vez, o poder não corromperá como antes?

NOTAS:

1. Da Revolução Francesa até o início da I Guerra Mundial, em 1914, presumia-se que o progresso humano era não apenas possível, mas também inevitável. Desde então, duas guerras terríveis e a descoberta da bomba de hidrogênio levaram os homens a questionar a pressuposição. The Observer convidou cinco escritores renomados a responderem às seguintes questões: “O homem está progredindo hoje?”, “O progresso é possível?”. Este artigo, o segundo de uma série, responde ao artigo de abertura de C. P. Snow, “Man in Society”. The Observer, 13 de julho de 1958.

2. Ensaio incluído em Possible Worlds and Other Essays, de J. B. S. Haldane (Londres, 1927). Ver também “The Last Judgement”, no mesmo livro.

3. Grupo de ex-combatentes irlandeses, organizado para acabar com revoltas em 1920 e 1921. (N.E.)

4. Polícia secreta na União Soviética nos anos 1920. (N.E.)

5. Em Rei Lear, de Shakespeare.

6. Jacques Bénigne Bossuet, Politique tirée des propres de l’Ecriture-Sainte (Paris, 1709).

Fonte: Ética Para Viver Melhor – C. S. Lewis

Retirado do site: blog.livrosconservadores.com.br/escravos-voluntarios-do-estado-assistencialista-c-s-lewis/

O cristão e voto

Estamos vivendo os dias mais importantes da democracia brasileira de todos os tempos, será que o cristão brasileiro está apto a eleger seu presidente? Quais as bases que um cristão deve usar para votar em um candidato? Gostaria que os cristãos tentassem responder a seguinte questão:

É possível alinhar a ideologia de esquerda com a doutrina social da igreja na perspectiva reformada?

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Bolsonaro: de qual direita estamos falando?

Bolsonaro é indubitavelmente uma figura controversa. À esquerda e à direita do espectro político sua figura desperta reações apaixonadas e estridentes. Bolsonaro é odiado pela esquerda, por supostamente encarnar o espírito militar e autoritário que tanto desagrada os intelectuais progressistas e o beautiful people. Para os bem-pensantes, Bolsonaro nada mais seria que um fascista com tendências machistas e homofóbicas, uma figura desprezível e anacrônica, que, deste modo, não mereceria qualquer tipo de atenção e respeito. Por outro lado, certa direita concebe-o como um sujeito rude, inculto e despreparado para a administração de um país complexo, multifacetado e gigantesco como o Brasil. Mais ainda, para muitos liberais e mesmo entre muitos conservadores, Bolsonaro é visto como um populista vulgar, um bonapartista tupiniquim, uma espécie de ufanista de caserna de orientação estatizante e dirigista no campo econômico.  O fato concreto é que Bolsonaro é uma personalidade sui generis que, dentre outras características, não se amolda com facilidade nas categorias que costumeiramente utilizamos para descrever e analisar as situações e eventos políticos. A rigor, o deputado federal mais votado do Estado do Rio Janeiro não é propriamente um político doutrinário que siga a risca uma cartilha ideológica precisa e definida. É evidente que Bolsonaro não é um leitor voraz dos teóricos do conservadorismo anglo-saxão como Edmund Burke, Roger Scruton e Russel Kirk. Muito provavelmente o polêmico e intrépido militar da reserva não seja nem mesmo um estudioso atento dos autores do liberalismo da Escola Austríaca. Definitivamente, ele não é um intelectual de temperamento contemplativo e introvertido. Bolsonaro, felizmente para alguns e infelizmente para outros, não é um seguidor da filosofia Tory, ele é apenas um brasileiro consciente e preocupado com o estado de caos social e desordem moral que avassala esta pátria luso-tropical.Patriota, este é o epíteto que pode ser usado para entender sua postura política que, apesar de sua vagueza e imprecisão, é uma boa pista para pensarmos sua personalidade para além das dicotomias conservador x progressista, liberal x socialista.  Isto, Bolsonaro é, sobretudo, um nacionalista, que, em síntese, não aceita ver seu país ser destruído pelas forças sem rosto do mundialismo desenraizador.

O ilustre deputado federal campineiro parece incomodar certos setores da nova direita brasileira, pois, suas intervenções, discursos e sua plataforma parecem não contemplar os tópicos basilares defendidos por esta corrente, como a defesa do liberalismo econômico, do capitalismo, da democracia liberal e do Estado de direito, mínimo, enxuto e eficiente. Sobre esta questão é necessário uma brevíssima digressão de teor sociológico e histórico. A nova direita brasileira pouco ou nada tem a ver com as “velhas direitas”. Ao compararmos as diversas organizações liberais e liberais-conservadoras de hoje, bem como o discurso de seus principais atores e intelectuais, com movimentos da década de 1930 como a Ação Integralista Brasileira e a Ação Imperial Patrionovista, notaremos diferenças abissais do ponto de vista ideológico e organizacional.

O integralismo, criado em outubro de 1932 pelo político e escritor Plínio Salgado, era uma doutrina política de cunho nacionalista e cristão, que fundia elementos do espiritualismo de Farias Brito, do nacionalismo de Alberto Torres e do catolicismo social. Este movimento foi uma expressão em terra brasileiras de uma direita radical e revolucionária. Após a Segunda Guerra Mundial, o integralismo deu origem ao Partido de Representação Popular (PRP) de explícita orientação conservadora cristã. Com o passar dos anos e seu amadurecimento intelectual, Plínio Salgado, criador da AIB e do PRP, afasta-se de posturas “radicais” adotando, assim, uma visão de mundo conservadora e tradicionalista católica. De orientação genuinamente tradicionalista e católica, a Ação Imperial Patrianovista, criada em 1932 pelo intelectual e professor universitário Arlindo Veiga dos Santos, defendia ardentemente a monarquia, os valores cristãos, o patriotismo e era fortemente antimarxista e antiliberal.

Elementos característicos e definidores destes movimentos políticos e culturais como o nacionalismo, o espiritualismo cristão, o tradicionalismo, o antiliberalismo e o anticapitalismo estão ausentes na nova direita brasileira. Em linhas gerais, trata-se de uma direita moderna, de feições liberais, que defende de maneira contumaz os princípios centrais da ideologia individualista (de acordo com o sentido utilizado pelo antropólogo francês Louis Dumont) que configurou a sociedade ocidental após a Revolução Francesa.

A ênfase desta nova direita em torno de questões relacionados com a liberdade individual, a livre iniciativa, a autonomia pessoal, o livre mercado, a democracia representativa e o Estado mínimo a distingue por completo da cosmovisão anti-moderna do Integralismo de Plinio Salgado e do Patrionovismo de Arlindo Veiga dos Santos. Na verdade, não precisamos ir tão longe, basta analisarmos a mentalidade, os ideais e a retórica de uma agrupação politica de direita bem mais recente como o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), fundado pelo médico cardiologista Enéas Carneiro em 1989, para percebermos diferenças significativas. Enquanto a nova direita prega entusiasticamente pelo Estado mínimo, pelas delícias da sociedade de consumo e do livre-comércio, aproximando-se às vezes de posições anarcocapitalitas, integralistas, patrionovistas num passado longínquo, os seguidores do PRONA de Enéas, num passado mais recente, advogavam um Estado forte, dirigista e intervencionista. Jair Bolsonaro, sob certo ponto, aproxima-se desta direita nacionalista e antiliberal ao defender com ardor a identidade e a soberania nacional, a tradição cristã e a moral tradicional. Inclina-se para uma forma renovada e atualizada de patriotismo cristão com tonalidades conservadoras no campo moral e cultural e nacionalista na esfera política e econômica. Estaríamos diante de um nacionalismo conservador cristão?

Bolsonaro, além disso, cristaliza em sua figura um estado de descontentamento geral e radical de parte expressiva da população brasileira com as insanidades do politicamente correto, do esquerdismo cultural e do relativismo moral que vêm corroendo as fibras mais íntimas e a própria substância espiritual da nação brasileira. Sob este aspecto, assemelha-se ao fenômeno Trump nos Estados Unidos e Marine Le Pen na França, assim como sua inconteste força popular apresenta similitudes com a ascensão de movimentos “identitários e populistas de direita” em todo o continente europeu. Tratam-se de constelações políticas que, grosso modo, se levantam contra as oligarquias cosmopolitas que, muitas vezes com um retórica humanitária, buscam insistentemente enfraquecer e aniquilar as soberanias nacionais, as identidades culturais tradicionais e os valores cristãos que fundaram e estruturaram a civilização ocidental.

O fenômeno Bolsonaro aponta para o surgimento de uma reação “conservadora” em terras brasileiras, ou melhor, é na verdade, uma espécie de bastião de resistência das forças nacionais e tradicionais contra os ataques do cosmopolitismo esnobe que intenciona forjar, através de processos sutis de engenharia social, uma nova (des)ordem mundial.


Texto extraído na íntegra do site: homemeterno.com
Autor: Cesar Ranquetat Jr

A Grande Mentira: O Socialismo Começou na Bíblia

Os socialistas, comunistas, esquerdistas e outros radicais com diferentes rótulos — porém com idéias e ambições políticas semelhantes — costumam alegar que o socialismo começou na Bíblia. Eles utilizam como exemplo uma experiência que os 12 apóstolos tentaram na primeira igreja cristã, na região da Judéia. Não houve direção direta de Deus para os líderes cristãos judeus decidirem o uso e administração de seus recursos financeiros, mas Deus lhes deu liberdade para tentarem seus próprios caminhos. O que sabemos é que os apóstolos tiveram a inspiração humana de que todos os cristãos judeus deveriam vender tudo o que tinham e entregar todo o dinheiro aos apóstolos. Nada era poupado, inclusive propriedades. Foi talvez uma tentativa de criar uma comunidade de interesses, trabalhos e sacrifícios comuns. Leia mais

Jesus e os pobres: nenhuma semelhança com o socialismo

Hoje a pobreza é quase tão comum quanto as doenças. Na época do ministério terreno de Jesus, essa realidade era muito mais forte. Nos Evangelhos, Jesus curava com muita freqüência, principalmente os pobres. Contudo, mesmo encontrando multidões de pobres diariamente, ele só os alimentou em duas ocasiões específicas, não porque simplesmente eles eram pobres, porém porque nessas ocasiões as multidões vieram ouvir o Evangelho cedo de manhã e permaneceram com ele três dias inteiros ouvindo o Evangelho. As multidões passaram tanto tempo ouvindo a Palavra de Deus dos lábios de Jesus que ficou muito tarde, quase de noite, no terceiro dia para voltarem e se alimentarem, pois o lugar em que estavam era deserto e distante, longe de casas e lugares onde poderiam encontrar alimento. Leia mais

Por que um cristão não pode ser marxista

Um cristão marxista faz tanto sentido quanto uma luz escura em um quadrado redondo. É mais que um paradoxo, é um absurdo. No entanto, em nossa era relativista, onde se busca conciliar o inconciliável, minha afirmação é que parece absurda. Mas não é. É a pura verdade.

Os que se espantam com essa afirmação provavelmente desconhecem não apenas a história do marxismo. Ignoram completamente seus próprios fundamentos, sua real natureza. Se os conhecessem com certeza saberiam que cristianismo e marxismo são tão incompatíveis quanto a luz e as trevas. Leia mais

Por que o marxismo odeia o Cristianismo

O marxismo autêntico sempre odiou e sempre odiará o cristianismo autêntico. Se não puder pervertê-lo, então terá que matá-lo. Sempre foi assim e sempre será assim.

E por que essa oposição manifestada ao cristianismo por parte do marxismo? Por que o ódio filosófico, a política anticristã, a ação assassina direcionada aos cristãos? Por que o país número um em perseguição ao cristianismo não é muçulmano e sim a comunista Coréia do Norte?

As pessoas se iludem quando pensam no marxismo como doutrina econômica ou política. Economia e política são meros pontos. Marx não acreditava ter apenas as resposta para os problemas econômicos. Acreditava ter todas as respostas para todos os problemas. Leia mais

Marxismo-Cristão: Uma contradição alarmante

1. Para Início de Conversa

Este é o tipo de texto que me deixa feliz ao escrever, pois tratarei de campos do saber que muito me agradam discutir e que fazem parte da minha formação acadêmica. Com graduação em História e especializado em Ciência Política, conheço e estudei o marxismo sob a ótica de diversos teóricos favoráveis e contrários às ideias difundidas por Karl Marx – esta figura controversa. Sou da opinião de que algo da sua leitura acerca das relações entre empresários e trabalhadores (no contexto da Revolução Industrial) não pode ser totalmente desprezada, no entanto, creio que sua desgraça foi reduzir todo o fluxo da História apenas à questão econômica. Também acredito que ele não conseguiu escapar de algo que tanto atacou: a ideologia. O mais irônico é ter as suas ideias utilizadas como uma religião. A tragédia marxiana foi denunciar o ópio da religiosidade e acabar vendo seus seguidores produzindo uma droga sintética chamada marxismo-leninismo[1]. Leia mais

Porque não sou de esquerda

Em 1989 eu ainda um “menino“, cursava a 6ª série do ensino fundamental, inocentemente fiz um comentário sobre o então candidato a presidência da republica, Lula, iniciou ali uma “conversa” com a professora Eg. (chamarei apenas pelas iniciais) que durou longos dias, ele foi dizendo-me como era a ideia da esquerda e como essa ideia era superior as demais e como terrível era não pensar e ser de esquerda. Não sei se meus amigos Daniel, Marilza, Ronaldo, entre outros, também foram “conversar” com essa professora, mas eu, antes da eleição eu havia tornado-me de esquerda, lá se vão 28 anos, hoje alguns desse amigos e até meu primo me pergunta porque não sou de esquerda, como se não sê-lo fosse algum tipo de aberração.

Por que não sou de esquerda?  Leia mais

O cristão e a política

Ano após ano cresce a chamada “bancada evangélica”, esse grupo tem alcançado grande força política, isso é indiscutível, a cada ano temos mais e mais candidatos “evangélicos” pleiteando um cargo político, ano passado tivemos um candidato membro da nossa igreja, e tive que responder a mesma pergunta várias vezes; O CRISTÃO PODE SE ENVOLVER EM POLÍTICA?. Os cristãos (e em especial os evangélicos) brasileiros nutrem uma aversão à política. Principalmente por esta estar associada a homens corruptos, cristãos de campanha, mentiras eleitoreiras, apostasia, satisfação de interesses pessoais, coisas que deixam o eleitor desconfiado das reais motivações que levam determinado candidato a lutar tanto por tal cargo. Unido a isto, temos uma fé afastada dos negócios do mundo, e então temos os destinos da sociedade entregue a incrédulos. Precisamos compreender melhor o papel do CIDADÃO e principalmente do CRISTÃO e aprender a viver um evangelho integral, que tenha uma palavra de juízo e graça para todas as esferas da vida humana, manifestando o Reino de Deus em nosso mundo. Leia mais