O pensamento DIREITA ESQUERDA

Depois de entender o significado e a origem dos termos DIREITA e ESQUERDA, é necessário entender a ideologia de cada um. A discussão entre DIREITA e ESQUERDA vem desde sua origem, penso que compreender a ideologia de ambos ajudará na escolha de governo que queremos, pois não voltamos apenas no candidato, mas sim em um “pacote” que inclui suas proposta e sua ideologia, isto é, a forma de governar tem tudo haver com sua ideologia política.

Nesse período eleitoral conversei muito com candidatos a prefeitos e a vereadores, uma das conversas chama a minha atenção para o que disse certo candidato ao fazer-lhe uma pergunta direta.

– Qual sua ideologia política? Esquerda ou Direita?
Ele respondeu: – No Brasil não existe mais ESQUERDA ou DIREITA, isso é uma forma antiga de fazer política.

Como assim, não existe ESQUERDA e DIREITA? Todas as semanas ouço jovens que me procuram para conversar sobre temas que borbulham nas universidades, feminismo, aborto, diversidade sexual, etc. Querem uma resposta a um verdadeira doutrinação MARXISTA, ou seja, os pensamentos de esquerda estão mais vivos que nunca, se há um pensamento ativo de esquerda, também há um pensamento de direita, quanto aos partidos políticos as vezes é difícil identificar sua ideologia, mas essas ideologia estão lá, por isso é importante conhecer a ideologia do candidato e do partido. O jovem candidato que conversei e não sabia (na minha opinião) distinguir uma ideologia da outra, precisa aprender um pouco mais sobre política para não cair em armadilhas políticas que as vezes parecem ser muito boas, mas podem ser fachadas eleitorais, e em alguns casos levar a um totalitarismo.

Olavo de Carvalho certa vez escreveu:

A inconstância e a variedade dos discursos ideológicos da esquerda e da direita, para não mencionar suas freqüentes inversões e enxertos mútuos, tornam tão difícil apreender conceptualmente a diferença entre essas duas correntes políticas, que muitos estudiosos desistiram de fazê-lo e optaram por tomá-las como meros rótulos convencionais ou publicitários, sem qualquer conteúdo preciso.

Outros, vendo que a zona de indistinção entre elas se amplia com o tempo, concluíram que elas faziam sentido na origem, mas se tornaram progressivamente inutilizáveis como conceitos descritivos.

Apesar dessas objeções razoáveis, as denominações de esquerda e direita ainda servem a grupos políticos atuantes, que, não raro imantando-as com uma carga emocional poderosa, as utilizam não só como símbolos de auto-identificação mas, inversamente, como indicadores esquemáticos pelos quais desenham em imaginação a figura do seu adversário ideal e a projetam, historicamente, sobre este ou aquele grupo social.

Quando surge uma situação paradoxal desse tipo, isto é, quando conceitos demasiado fluidos ou mesmo vazios de conteúdo têm não obstante uma presença real como forças historicamente atuantes, é porque suas várias e conflitantes definições verbais são apenas tentativas parciais e falhadas de expressar um dado de realidade, uma verdade de experiência, cuja unidade de significado, obscuramente pressentida, permanece abaixo do limiar de consciência dos personagens envolvidos e só pode ser desencavada mediante a análise direta da experiência enquanto tal, isto é, tomada independentemente de suas formulações verbais historicamente registradas.

Dito de outro modo: a distinção de direita e esquerda existe objetivamente e é estável o bastante para ser objeto de um conceito científico, mas ela não consiste em nada do que a direita ou a esquerda dizem de si mesmas ou uma da outra. Consiste numa diferença entre duas percepções da realidade, diferença que permanece constante ao longo de todas as variações de significado dos termos respectivos e que, uma vez apreendida, permite elucidar a unidade por baixo dessas variações e explicar como elas se tornaram historicamente possíveis.

Esquerda x Direita: Entenda de uma vez

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A melhor definição também foi feita por Olavo de Carvalho no artigo “Democracia normal e patológica – 1″.

(…) Normalidade democrática é a concorrência efetiva, livre, aberta, legal e ordenada de duas ideologias que pretendem representar os melhores interesses da população: de um lado, a “esquerda”, que favorece o controle estatal da economia e a interferência ativa do governo em todos os setores da vida social, colocando o ideal igualitário acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa. De outro, a “direita”, que favorece a liberdade de mercado, defende os direitos individuais e os poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado e coloca o patriotismo e os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.

Representadas por dois ou mais partidos e amparadas nos seus respectivos mentores intelectuais e órgãos de mídia, essas forças se alternam no governo conforme as favoreça o resultado de eleições livres e periódicas, de modo que os sucessos e fracassos de cada uma durante sua passagem pelo poder sejam mutuamente compensados e tudo concorra, no fim das contas, para o benefício da população.

Entre a esquerda e a direita estende-se toda uma zona indecisa de mesclagens e transigências, que podem assumir a forma de partidos menores independentes ou consolidar-se como política permanente de concessões mútuas entre as duas facções maiores. É o “centro”, que se define precisamente por não ser nada além da própria forma geral do sistema indevidamente transmutada às vezes em arremedo de facção política, como se numa partida de futebol o manual de instruções pretendesse ser um terceiro time em campo.

Nas beiradas do quadro legítimo, florescendo em zonas fronteiriças entre a política e o crime, há os “extremismos” de parte a parte: a extrema esquerda prega a submissão integral da sociedade a uma ideologia revolucionária personificada num Partido-Estado, a extinção completa dos valores morais e religiosos tradicionais, o igualitarismo forçado por meio da intervenção fiscal, judiciária e policial. A extrema direita propõe a criminalização de toda a esquerda, a imposição da uniformidade moral e religiosa sob a bandeira de valores tradicionais, a transmutação de toda a sociedade numa militância patriótica obediente e disciplinada.

Não é o apelo à violência que define, ostensivamente e em primeira instância, os dois extremismos: tanto um quanto o outro admitem alternar os meios violentos e pacíficos de luta conforme as exigências do momento, submetendo a frias considerações de mera oportunidade, com notável amoralismo e não sem uma ponta de orgulho maquiavélico, a escolha entre o morticínio e a sedução. Isso permite que forjem alianças, alternadamente ou ao mesmo tempo, com gangues de delinquentes e com os partidos legítimos, às vezes desfrutando gostosamente de uma espécie de direito ao crime.

Não é uma coincidência que, quando sobem ao poder ou se apropriam de uma parte dele, os dois favoreçam igualmente uma economia de intervenção estatista. Isto não se deve ao slogan de que “os extremos se tocam”, mas à simples razão de que nenhuma política de transformação forçada da sociedade se pode realizar sem o controle estatal da atividade econômica, pouco importando que seja imposto em nome do igualitarismo ou do nacionalismo, do futurismo utópico ou do tradicionalismo mais obstinado. Por essa razão, ambos os extremismos são sempre inimigos da direita, mas, da esquerda, só de vez em quando.

A extrema esquerda só se distingue da esquerda por uma questão de grau (ou de pressa relativa), pois ambas visam em última instância ao mesmo objetivo. Já a extrema direita e a direita, mesmo quando seus discursos convergem no tópico dos valores morais ou do anti-esquerdismo programático, acabam sempre se revelando incompatíveis em essência: é materialmente impossível praticar ao mesmo tempo a liberdade de mercado e o controle estatal da economia, a preservação dos direitos individuais e a militarização da sociedade.

Isso é uma vantagem permanente a favor da esquerda: alianças transnacionais da esquerda com a extrema esquerda sempre existiram, como a Internacional Comunista, o Front Popular da França e, hoje, o Foro de São Paulo. Uma “internacional de direita” é uma impossibilidade pura e simples. Essa desvantagem da direita é compensada no campo econômico, em parte, pela inviabilidade intrínseca do estatismo integral, que obriga a esquerda a fazer periódicas concessões ao capitalismo.

Embora essas noções sejam óbvias e facilmente comprováveis pela observação do que se passa no mundo, você não pode adquiri-las em nenhuma universidade brasileira (…).

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Por isso a discussão realmente é IGUALDADE ou LIBERDADE.

O famoso lema da revolução francesa “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” me faz pensar na possibilidade de encontrarmos esse equilíbrio na convivência entre as pessoas. Mas isso seria mesmo fácil de realizar?

Antes de sair por aí dizendo que é de esquerda ou de direita, entenda os conceitos e ideologias de cada um. Outro dia iniciei uma conversa com uma pessoas que se dizia ser feminista, ao ser interpelado sobre a terceira onda do feminismo, ele afirmou que nem sabia o que era isso!

Nos próximos posts falarei sobre o marxismo, e porque abandonei a esquerda e sou abertamente de direita.

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2 respostas
  1. Beatriz
    Beatriz says:

    Um dia na aula de história o professor falou que os de esquerdas (se referia ao PT- Dilma), estão indo para o centro. Se existe esquerda e direita o que seria o centro?

    Responder
    • Franco Júnior
      Franco Júnior says:

      Centro-esquerda é um termo político utilizado para descrever indivíduos, partidos políticos ou organizações que se encontram entre o centro e a esquerda no espectro ideológico, dentro do conceito da existência de uma Esquerda e Direita (política).

      O termo pode se referir à esquerda do centro num país específico ou num hipotético espectro político global. Uma das ideologias que se colocam como centro-esquerda é a social-democracia, que tem origem no socialismo, porém que ganhou nova roupagem com o advento da chamada Terceira Via, linha de pensamento contemporâneo que foi discutida para supostamente modernizar a divisão direita-esquerda.

      Responder

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